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Eu estava na minha sessão de acupuntura. Uma música muito bonita e relaxante sussurava ao fundo. Sozinho, deitado de costas, cheio de agulhas pelo corpo, olhava o teto através da penumbra.
Passei a refletir sobre o que já virou uma obsessão para mim: o despertar espiritual.
De repente, como que uma montanha caiu sobre mim, uma montanha de clareza, de Verdade, de recordações exatas do que tinha sido a minha vida até aquele momento.
Senti, profundamente, na maior honestidade possível, que eu tinha sido – desde que me lembro de mim – uma pessoa que recebeu muitos presentes de Deus. Mais do que isso: Deus só me tinha dado presentes maravilhosos, milagres plenos e gritantemente visíveis, reais.
Meus pais, minha saúde, minha irmã, minhas escolas, meus amigos, meu trabalho, minha mulher, meus filhos, esses foram alguns dos muitos milagres, milagres reais que recebi.
Deus me deu um jardim precioso, com flores maravilhosamente verdadeiras.
Mas eu fui um jardineiro relapso: deixei de regar o jardim com a atenção que ele merecia, deixei que as ervas daninhas dos meus erros, meus vícios, minhas ações erradas e minhas omissões crescessem com vigor. Quando não fui relapso, fui desengonçado: podava na hora errada, deixava de podar quando a poda era necessária; ao tentar cuidar, acabava derrubando pétalas.
Comecei, então, a chorar: de alegria, por constatar que havia recebido um jardim tão bonito; de tristeza, por não ter sido um jardineiro à altura do jardim que recebera.
Nesse momento, senti que eu – eu, que agora busco o despertar espiritual - ficara num sono profundo, por anos a fio. Senti que, em vez de cuidar como deveria ter cuidado do meu jardim, ficara dormindo... Senti que eu, que hoje sou metido a buscar as coisas do Espírito, nem mesmo despertara para a minha Vida enquanto homem.
É por isso que dei o título acima para este texto. Porque se eu ajudar pelo menos uma pessoa a despertar para cuidar de seus milagres, terá valido a pena ter escrito tudo o que escrevi até hoje. Então, por favor, não repita o erro que eu cometi! Desperte agora e veja o jardim maravilhoso que você já tem, que sempre teve! Cuide dele agora. Agora!
Quanto a mim, enxuguei as lágrimas. Se ficar chorando por não ter cuidado bem do meu jardim, daqui a dez anos vou chorar pelo tipo de jardineiro que estou sendo (ou estou deixando de ser) hoje.
Sim, eu sei que meu jardim já não é o mesmo de antes... Algumas flores morreram, outras foram transplantadas para longe, muitas estão murchas, feridas. Mas ele ainda é um jardim cheio de milagres, além do que há muito pólen milagroso no ar. E o maior milagre de todos: ele ainda me deixa ser seu jardineiro. Na verdade, ele ainda espera por mim.