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Compaixão.com - Edição de 27/09/2009 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Odair Bruzos   


Nesta Edição, Odair Bruzos lê e comenta o texto abaixo, que versa sobre "viver no agora".


O que é  Meditação?


Só  existe um problema, o qual é a causa de todos os outros: o tempo.  “Tempo” é o verdadeiro sinônimo de inferno.  O ego, esse falso Eu, só existe no tempo.  Alojado no ontem e no amanhã, o ego busca sugar todo o nosso verdadeiro Eu, não deixando nem traço do agora.

O Divino, por sua vez, só pode existir fora do tempo.  Não  é por acaso que, na Bíblia, Deus se denomina “Eu sou”.  De fato, Deus só pode ser agora.  Na verdade, se conseguíssemos ultrapassar a ilusão do tempo, nem usaríamos a palavra “agora”.  Se não há passado nem futuro, por que a palavra “agora”?  Então a frase ficaria assim: Deus É.

 

A escrita da fórmula química de um perfume não é o seu aroma, assim como a partitura de uma sinfonia não faz o ar vibrar harmonicamente até nossos ouvidos.  Assim também falar da busca ao Divino não é buscá-lo (muito menos é encontrá-lo).  Falar sobre isso é impossível, ou, na melhor das hipóteses, absurdo.  É como a imagem Zen de “bater palmas com uma só mão”.

A única maneira de falar de Deus é calar.

A única forma de descrever o caminho espiritual é sentir os passos.

Mas acontece que só podemos caminhar por essa trilha, quando paramos.

Não parece absurdo?

Domingo à noite, tomei meu prato de sopa como nunca antes.  Estive presente totalmente no ato de tomar a sopa.  Agradeci a Deus por aquele alimento, senti quanta luz, água, terra e ar foram necessários para que aqueles feijões liquidificados chegassem à minha mesa, senti a sagrada e assombrosa dádiva que estava prestes a acontecer: aquela sopa iria virar Odair.  Sim, aquele caldo iria se transformar em meu corpo, no qual eu iria amar, sofrer, sorrir, chorar.  Poderia existir milagre maior?  Passeei com a colher por aquele lago e recolhi uma porção fumegante, que banhou minha boca, cobrindo minha língua, descendo pela garganta.  Demorei para dar a segunda colherada, sentindo a sopa invadindo minhas entranhas.  O mundo, naquele momento, estava circunscrito ao meu “tomar sopa”.  Nada havia para trás, nada para a frente, só aquele momento.

Dias depois, caí no erro de contar para um amigo como foi maravilhosa minha experiência de tomar sopa.  Ele deu risada, fez gozação.  Ele fez a mesma coisa que eu teria feito, meses atrás.  Não me chateei com ele, mas sim por sentir como é impossível transmitir algo para outra pessoa, principalmente quando esse algo é uma mudança de percepção.

Confesso que chego a (alegremente) me assustar com as experiências que o “viver no momento presente” vem trazendo para mim.  E o susto é maior, ainda, quando sei que não caminhei nem um milésimo de milésimo do milésimo do caminho...

Não tenho nenhuma autoridade para falar de busca espiritual, nenhuma, mas vou me atrever a fazer um convite: ao tomar sua próxima refeição, esteja totalmente presente.  Transforme-se no “tomar a refeição”.  Esteja presente, também, no banho, no caminhar, no amar, no respirar.

Houve tempos em que eu pensava que sabia muito.

Hoje, sei que quem pensava assim era só o meu ego.  Hoje, eu (Eu, mesmo) percebo que cada vez mais sei cada vez menos.

Mas sinto cada vez mais.

Meditação é.

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